Paulo Scott

................ (recorte parcial do que foi dito na imprensa e páginas eletrônicas sobre a obra do escritor) ...

Julho 01, 2006

 
SENHOR ESCURIDÃO (DEZ)

JOCA REINERS TERRON (ARTIGO PARA A REVISTA APLAUSO)


"Desde muito antes e sempre os poetas brasileiros andam em bandos, em coletivos, em gangues. A condição gregária do poeta brasileiro é tamanha que, se lermos à revelia poemas de integrantes variados da mesma alcatéia, a singularidade não existirá: são lobos de uivo unívoco. E há também as torpezas da filiação, porém para isto podemos desenvolver uma fórmula: que todos os poemas emuladores sejam devolvidos às suas fontes. Assim desta maneira poetas de obra tímida (em extensão) como João Cabral de Melo Neto, Augusto de Campos ou Paulo Leminski de repente ficariam com as burras cheias. Resta saber se ficariam ricos de verdade ou apenas medianamente remediados.
Ao deparar-nos com os dois últimos livros de poesia de Paulo Scott, A Timidez do Monsto e Senhor Escuridão, terminamos por intuir sobre os perigos da desaparição da singularidade. Poeta único no panorama nacional, corpo estranho não facilmente autopsiado, Scott vem produzindo uma poesia de extrema violência elíptica e visualista. Recursos à elipse e à imagem no entanto não são de todo alienígenas à tradição poética brasileira. O que faz então com que Scott possa ser identificado como lobo solitário vagando pelos desertos da poesia brasileira? Em primeira instância, sua dicção, que por subtração de meios (não há quase advérbios e adjetivos em seus textos) adquire certa impenetrabilidade, invariavelmente confundida com hermetismo. Em seus poemas a sintaxe não busca ser amistosa, dando guinadas de locução que incluem farta adjetivação de substantivos ("agrupo da prega de mosquito me tigelando”), deslocamentos de sentido e ambiguidades várias. Ao contrário do discurso direto presente na prosa clara de Voláteis, seu único romance até agora, os poemas de Scott mantêm diálogo intenso com os contos de Ainda Orangotangos, seja na utilização da imagem, sempre obscura e construída por detalhes que são meros indícios do todo, seja na abordagem de um universo lúmpen similar.
E aqui retomamos o principal aspecto da singularidade do autor: permanente espaço de reflexão sobre desmazelos do próprio poeta e de suas vicissitudes sociais e culturais, o poema contemporâneo quase nunca dá voz ao sujeito desconhecido que se encontra à margem. Num processo de intensa dessubjetivação do próprio ego, o cidadão Paulo Scott desaparece na tormenta de seus próprios poemas, cedendo vez aos outros, dando voz àqueles que não tem voz. Um projeto de ordem política, claro, mas sem se ater às limitações estéticas da Política, a poesia de Scott é a de um Orfeu que confundiu os subterrâneos da cidade com o inferno e voltou para contar a todos o que viu."

.

 
A TIMIDEZ DO MONSTRO (ONZE)

DIÁRIO DA MANHÃ DE SÃO LUÍS DO MARANHÃO (POR ZEMA RIBEIRO)


"A VIOLÊNCIA DO MONSTRO
(...)
A poesia de Paulo Scott é isso, essa velocidade toda, toda essa violência. Páginas em preto – não há espaço para páginas em branco na literatura de Elrodris, pseudônimo do poeta-skatista – parecem esconder o monstro tímido do título. Ou economizar mais violência, uma ou outra ilustração de Guilherme Pilla a menos, no “violento” projeto gráfico."

.

 
A TIMIDEZ DO MONSTRO (DEZ)

LEIA LIVROS - SECRETARIA CULTURA SP (POR RAMIRO RIBEIRO BATISTA)


"O livro 'A timidez do monstro', de Paulo Scott, apresenta mais um representante de uma nova geração de escritores, cuja produção literária se mostra inovadora, incomum, diferenciada e, ao mesmo tempo, rica. A poética de Paulo Scott beira o inclassificável, algo intermediário entre a poesia, a prosa-poética e prosa. Os textos de Paulo Scott são poesias com enredo, instigantes e perturbadores. Este escritor gaúcho não produz apenas ficção, cria palavras, verbos ('minusculam a oração na boca' ou 'sonhei que discotecava na sala'), ou conjuga o impossível ('os dedos engolem/ a sombra da infância') e nos faz lembrar o saudoso Quintana em 'ajeito teu sim/ com os polegares/ frito-o aos gritinhos'. E Paulo Scott atinge a genialidade, a meu ver, em:

'hoje fui atacado por uma dessas aranhas-gota
são animaizinhos que se alimentam da respiração humana
descem pelos azulejos, aí saltam, picam no pescoço
(geralmente atacam em dupla)
e sobem rápidas para o couro cabeludo,
a vítima tem menos de um minuto
para se ajeitar na posição horizontal,
é a única forma de aplacar a dor
que se alastrará pelos globos oculares,
procurá-las é inútil, desista, elas cavalgarão na sua cabeça,
a paralisia durará meia hora,
você não adivinha a saudade que me veio
quando o efeito do veneno passou'
(in 'Ainda o movimento para o primeiro amor', p.77)

Ou o máximo da criatividade em:

'piso na areia, percebo o bilhete laranja espetado no graveto
seco, “escolha uma dia de verão em que a água esteja muito
fria, aguarde até que uma menina (dessas com menos de
nove anos, com os ossos ainda tenros) entre no mar, sem
que haja alguém por perto, e, sem desvestir as roupas, entre
no mar também e a carregue pela cintura, nadando rápido
até os dois desfalecerem; ela se tornará sereia”, dobro o
bilhete e o enfio no bolso, evito encarar o oceano, algo
me aguarda nas espumas da rebentação'
(in 'Roteiro básico para fabricar sereias', p. 103)

Paulo Scott é outro escritor referendado pelo poeta gaúcho Fabrício Carpinejar, que assina o prefácio de apresentação da obra, e esclarece: 'Em uma poética moderna e fraturada, Scott reúne o que antes alimentava poetas católicos como Jorge de Lima e Murilo Mendes ou ateus como Jim Morrison e Rimbaud: evidência e violência...' (p. 9). O livro 'A timidez do monstro' reúne textos produzidos pelo autor de agosto de 2003 a janeiro de 2005. Edição de 2006."

.

Archives

Abril 2006   Maio 2006   Julho 2006   Agosto 2006   Setembro 2006   Dezembro 2006   Março 2007   Maio 2007   Junho 2007   Agosto 2007   Setembro 2007   Outubro 2007   Novembro 2007   Fevereiro 2008   Março 2008   Abril 2008   Maio 2008   Agosto 2008   Setembro 2008   Abril 2009   Julho 2009  

This page is powered by Blogger. Isn't yours?