................ (recorte parcial do que foi dito na imprensa e páginas eletrônicas sobre a obra do escritor) ...
CRUCIAL DOIS UM (TRÊS)
FERNANDA D'UMBRA (ATRIZ)"Sempre tive medo das coisas escritas por Paulo Scott. Não acho que aquilo faça bem. Mas tenho o Paulo aqui na minha estante para casos de desatenção. Às vezes me distraio e o releio (...) Crucial Dois Um é o primeiro (vejam que aqui rola uma provocação) texto para teatro de Paulo Scott, que chega sem se parecer com absolutamente ninguém. Não há com o que comparar aquele argumento, aquela levada, aquele jeito enlouquecedor de descrever o que se passa dentro da cabeça dos personagens.
Mau ator tá roubado com o Paulo. Ator mediano tá fudido com o Paulo. Ator funcional tá morto com o Paulo. Explico: existem atores e atrizes que funcionam. Sabem falar (alto até), sabem andar de um lado pro outro do palco, se mexem razoavelmente (tá certo, ficam esticando aquele bracinho, mas se mexem assim, assim...) e não comprometem o espetáculo. Mas não fazem diferença. É horrível o que eu vou dizer, mas é verdade: se deixarem de fazer teatro hoje, não dá nada. Esse tipo de ator não dá conta do que o Paulo escreve. Não passa nem na porta.
Crucial Dois Um foi dirigida por um diretor de cinema. E o os caras de teatro passam mal quando vêem um cara de fora detonando. E o cara detona. Ninguém montaria essa peça melhor do que esse cara, o Gilson Vargas. O teatro ganhou um diretor e é isso. Ninguém usaria a tecnologia daquele jeito sem ficar modernete. Tudo se presta ali. E se presta ao texto. O que é de uma inteligência sem fim. E além de tudo o Gilson sabe montar equipe (deve ser herança do cinema, onde as equipes são sempre maiores do que no teatro) e o cara trabalha com gente que sabe o que faz. O espetáculo é do caralho.
Há na peça várias imagens inesquecíveis. De silêncio, só com os dois atores ali. Eles estão ali. Ponto. Mas têm que ser bom pra ficar quieto, fazendo barulho com a alma, sem falar nada, quieto. Vanise Carneiro e Marcos Contreras são uns filhos da puta. Quase me matam ali. Conhecem o jogo e jogam contra você, que na platéia não pode fazer nada além de tentar fechar os olhos e não conseguir. Eles podem com Paulo Scott. E isso não é pouco.
Nada falta. Nada sobra. A luz é linda, o cenário é perfeito, a trilha e o desenho de som britam seu coração. E uma linda moça loira fez aquele desenho de som.
Quer sinopse? Em um mundo mais filho da puta do que esse ainda (porra, Paulo...), onde a água é a última moeda, uma mulher recebe 21 horas de sobrevida. Tem sete horas pra se explicar com o governo, sete horas pra resolver suas pendengas pessoais e mais sete pra dar um alô aos seus credores. Enfim, tá na roubada mesmo depois de morta. Um funcionário cuida dela enquanto interroga a mulher. Sua situação poderia ser melhor que a dela, mas este é o pequeno mundo injusto de Paulo Scott, então ele está tão roubado quanto ela. Não vou contar porque. Passa que durante essas horas uma vida inteira escorre na tua frente. A tua vida, inclusive. Já ouviu falar de um troço chamado amor? Eu já."
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