Paulo Scott

................ (recorte parcial do que foi dito na imprensa e páginas eletrônicas sobre a obra do escritor) ...

Maio 23, 2007

 
CRUCIAL DOIS UM (TRÊS)

FERNANDA D'UMBRA (ATRIZ)


"Sempre tive medo das coisas escritas por Paulo Scott. Não acho que aquilo faça bem. Mas tenho o Paulo aqui na minha estante para casos de desatenção. Às vezes me distraio e o releio (...) Crucial Dois Um é o primeiro (vejam que aqui rola uma provocação) texto para teatro de Paulo Scott, que chega sem se parecer com absolutamente ninguém. Não há com o que comparar aquele argumento, aquela levada, aquele jeito enlouquecedor de descrever o que se passa dentro da cabeça dos personagens.
Mau ator tá roubado com o Paulo. Ator mediano tá fudido com o Paulo. Ator funcional tá morto com o Paulo. Explico: existem atores e atrizes que funcionam. Sabem falar (alto até), sabem andar de um lado pro outro do palco, se mexem razoavelmente (tá certo, ficam esticando aquele bracinho, mas se mexem assim, assim...) e não comprometem o espetáculo. Mas não fazem diferença. É horrível o que eu vou dizer, mas é verdade: se deixarem de fazer teatro hoje, não dá nada. Esse tipo de ator não dá conta do que o Paulo escreve. Não passa nem na porta.
Crucial Dois Um foi dirigida por um diretor de cinema. E o os caras de teatro passam mal quando vêem um cara de fora detonando. E o cara detona. Ninguém montaria essa peça melhor do que esse cara, o Gilson Vargas. O teatro ganhou um diretor e é isso. Ninguém usaria a tecnologia daquele jeito sem ficar modernete. Tudo se presta ali. E se presta ao texto. O que é de uma inteligência sem fim. E além de tudo o Gilson sabe montar equipe (deve ser herança do cinema, onde as equipes são sempre maiores do que no teatro) e o cara trabalha com gente que sabe o que faz. O espetáculo é do caralho.
Há na peça várias imagens inesquecíveis. De silêncio, só com os dois atores ali. Eles estão ali. Ponto. Mas têm que ser bom pra ficar quieto, fazendo barulho com a alma, sem falar nada, quieto. Vanise Carneiro e Marcos Contreras são uns filhos da puta. Quase me matam ali. Conhecem o jogo e jogam contra você, que na platéia não pode fazer nada além de tentar fechar os olhos e não conseguir. Eles podem com Paulo Scott. E isso não é pouco.
Nada falta. Nada sobra. A luz é linda, o cenário é perfeito, a trilha e o desenho de som britam seu coração. E uma linda moça loira fez aquele desenho de som.
Quer sinopse? Em um mundo mais filho da puta do que esse ainda (porra, Paulo...), onde a água é a última moeda, uma mulher recebe 21 horas de sobrevida. Tem sete horas pra se explicar com o governo, sete horas pra resolver suas pendengas pessoais e mais sete pra dar um alô aos seus credores. Enfim, tá na roubada mesmo depois de morta. Um funcionário cuida dela enquanto interroga a mulher. Sua situação poderia ser melhor que a dela, mas este é o pequeno mundo injusto de Paulo Scott, então ele está tão roubado quanto ela. Não vou contar porque. Passa que durante essas horas uma vida inteira escorre na tua frente. A tua vida, inclusive. Já ouviu falar de um troço chamado amor? Eu já."

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