................ (recorte parcial do que foi dito na imprensa e páginas eletrônicas sobre a obra do escritor) ...
AINDA ORANGOTANGOS (DOZE)
JORNAL PORTO&VÍRGULA (50ª FEIRA DO LIVRO - POA)"Não tem muito papo. Ou tem, mas é um discurso breve, áspero, ou alheio à situação que ocorre. Paulo Scott pega pesado. Já está além dos identificáveis contos de horror, de atmosfera, ou do absurdo, ou de qualquer selo que pudéssemos emprestar-lhe. E se emprestássemos, algo devoraria. Algo no livro de Scott daria um jeito de, pior que perder o selo, encontrar nele o emblema de uma maldição que anuncia seu nome mas causa um lento massacre às coisas ao redor. No conto homônimo há uma data: 34 de agosto. 34, sem erro de revisão. O tempo nessa realidade sem a mínima misericórdia é outro. Outros são os homens. Ou são os mesmos, e nosso anacrônico coração é que resiste ainda? Acham que o resenhista exagera? Então peguem esta batata quente: (...) esse contista, convenhamos, não foi ao inferno e dele retornou, ainda está lá. E mais: é seu fundador. A questão que importa é que além do pop presumível, da influência dos quadrinhos, do rock mais agressivo e das marcas visíveis de um tempo que convive com a esquizofrenia como quem convive com um cachorro de raça, só que feroz, há a emoção estética de quem se depara com histórias (...) que acontecem na sua seca plenitude e dela não se afastam uma vírgula, continuando plenas, isto é, densas, trocando o que seria juvenil irreverência por relevância literária. Paulo Scott não brinca quando mostra os dentes. Não brinca quando escreve como quem escarva, com as unhas, na tela do computador, cenas e figuras que nos paralisam. Acabaram-se as férias de quem pretendia, nelas, ler Literatura. Pode ler, vale a pena. Mas as férias ficarão marcadas para sempre. Marcas que são hematomas na alma sensível de quem se acostumou a ser bem-tratado pela Literatura. Aí está uma nova literatura. Que nos maltrata, sendo boa."
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